Keiko Fujimori vence eleição no Peru após disputa voto a voto e retorna ao poder 34 anos após autogolpe do pai

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Keiko Fujimori (Imagem: Stifs Paucca | Reuters)

A líder conservadora Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, é a virtual nova presidente do Peru. Com 100% das urnas apuradas, ela obteve 50,135% dos votos válidos, contra 49,865% do candidato de esquerda Roberto Sánchez, uma diferença de apenas 49.641 votos em um universo superior a 18 milhões de votos. Embora o resultado ainda dependa da proclamação oficial do Jurado Nacional de Eleições (JNE), prevista para até 3 de julho, a vantagem tornou-se matematicamente irreversível ainda na semana passada.

A eleição encerra uma das disputas mais acirradas da história recente do Peru e marca a quarta tentativa consecutiva de Keiko de chegar à Presidência. Depois de perder os segundos turnos de 2011, 2016 e 2021, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori finalmente conquistou o Palácio do Governo em meio a um cenário de forte polarização política e institucional.

Apuração teve reviravoltas e contestação da oposição

A contagem dos votos foi marcada por sucessivas mudanças na liderança. Keiko abriu vantagem no início da apuração, foi ultrapassada por Roberto Sánchez durante a contabilização e voltou à frente na madrugada de 11 de junho, mantendo uma diferença crescente até o encerramento da contagem.

O candidato da coalizão de esquerda Juntos por el Perú contestou o resultado e pediu a anulação de votos registrados por peruanos residentes no exterior, alegando irregularidades na apuração. O recurso foi levado à Justiça Eleitoral.

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Apesar das acusações, missões de observação da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia afirmaram que o processo eleitoral transcorreu de forma regular e disseram não ter encontrado evidências que sustentassem denúncias de fraude.

Quem é Keiko Fujimori

Aos 51 anos, Keiko Fujimori é uma das figuras mais conhecidas da política peruana. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ela ganhou projeção nacional ainda jovem, quando assumiu o posto de primeira-dama em 1994, após a separação dos pais.

Formada em Administração pela Universidade de Boston e mestre pela Universidade Columbia, nos Estados Unidos, foi eleita deputada em 2006, fundou o partido Fuerza Popular em 2009 e preside a legenda desde 2013.

Sua vitória representa o retorno do chamado fujimorismo ao comando do país após décadas exercendo influência principalmente no Congresso.

O legado controverso de Alberto Fujimori

A eleição de Keiko reacende o debate sobre o legado de seu pai, Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000.

Para parte da população, ele é lembrado pela estabilização da economia peruana e pelo combate aos grupos guerrilheiros Sendero Luminoso e MRTA. Já seus críticos destacam o caráter autoritário do governo, denúncias de corrupção e graves violações de direitos humanos.

O episódio mais emblemático ocorreu em 5 de abril de 1992, quando Alberto Fujimori dissolveu o Congresso, suspendeu a Constituição, interveio no Judiciário e passou a governar por decreto com apoio das Forças Armadas. O episódio ficou conhecido como “autogolpe” e marcou um dos períodos mais controversos da história política peruana.

Peru vive longa crise institucional

Keiko assume a Presidência em um país que atravessa uma prolongada crise política. Nos últimos dez anos, o Peru teve nove presidentes, entre eleições, impeachments, renúncias e sucessivas trocas de governo.

Seu adversário, Roberto Sánchez, foi ministro do ex-presidente Pedro Castillo, deposto e posteriormente preso após tentar dissolver o Congresso em 2022. Castillo continua sendo uma figura que divide opiniões no país: enquanto opositores classificam sua atitude como tentativa de golpe de Estado, apoiadores afirmam que ele foi vítima de um Parlamento que historicamente concentra grande poder político.

Após a queda de Castillo, o Peru passou por novos episódios de instabilidade, mudanças de presidentes interinos e protestos, até chegar às eleições deste ano.

Posse deve ocorrer em julho

O Jurado Nacional de Eleições deve oficializar o resultado até 3 de julho, enquanto a entrega das credenciais à chapa vencedora está prevista para 15 de julho.

A expectativa agora é sobre como será a relação entre o novo governo e um Congresso historicamente fragmentado, além da capacidade de Keiko Fujimori de reduzir a instabilidade política que marcou o Peru na última década.

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