Henrique tinha quase mil horas de voo; aviação era sonho construído pelo casal, que terminou em tragédia
“Ele tem quase mil horas de voo. Então erro humano não foi, eu tenho certeza disso.”
A empresária Anelize Andrade, viúva do piloto Henrique Martin de Carvalho, descartou falha humana como causa da queda da aeronave que matou o marido nesta sexta-feira em Campo Grande. Com quase mil horas de voo e três anos de experiência, Henrique morreu junto à pesquisadora alemã Lydia Möcklinghoff nas proximidades do Aeroporto Santa Maria. O casal era casado há 17 anos e investia na carreira aeronáutica. As causas do acidente seguem sob investigação.
Foi com a voz baixa, ainda abalada pela tragédia, mas com firmeza ao falar da trajetória do marido, que a empresária Anelize Andrade conversou com a reportagem do Campo Grande News nesta sexta-feira (3). Viúva do piloto Henrique Martin de Carvalho, ela afirma que ainda não sabe o que causou a queda da aeronave que matou o companheiro, mas acredita que a experiência dele afasta a hipótese de falha humana.
Casados há 17 anos, eles construíram juntos o sonho da aviação. Segundo Anelize, a família começou a investir na formação aeronáutica de Henrique há cerca de seis anos. Depois dos cursos e treinamentos, ele passou a voar regularmente há aproximadamente três anos e acumulou quase mil horas de experiência.
Mais do que um objetivo pessoal, a carreira de piloto era um projeto compartilhado pelo casal. “Já tem uns três anos que ele está voando e a gente está investindo na aviação para ele começar a voar”, contou.
Ao recordar a dedicação do marido à profissão, Anelize destacou que ele encarava a atividade com seriedade e estudo constante. “Ele é muito inteligente, sempre estudou muito”, afirmou.
A esposa conta que a manhã do acidente começou como qualquer outra. Henrique saiu cedo para cumprir um voo programado e nada parecia diferente da rotina que a família já conhecia.
“Para nós era um dia normal. Ele saiu para voar e eu achei que iria voltar. Só que infelizmente aconteceu essa catástrofe”, lamentou.
A notícia da queda chegou de forma inesperada. Anelize estava em casa quando recebeu uma ligação da irmã, que havia visto as primeiras informações sobre o acidente nas redes sociais.
“Foi um choque”, resumiu.
Mesmo diante da dor, ela diz que a família agora busca respostas para entender o que aconteceu. Durante a entrevista, Anelize mencionou informações de que a aeronave teria passado por manutenção e testes no dia anterior ao acidente.
“O pessoal falou que passou até por manutenção ontem. Ele foi lá fazer testes, voar”, disse.
Questionada sobre a neblina registrada em Campo Grande durante a manhã, ela evitou apontar qualquer causa para a queda. Segundo Anelize, ainda é cedo para conclusões e somente a investigação poderá esclarecer as circunstâncias do acidente.
Ao falar sobre as condições de voo enfrentadas pelo marido ao longo da carreira, porém, ela ressaltou a experiência acumulada por Henrique. “Ele tinha quase mil horas de voo. Ele voava à noite, voava de madrugada”, afirmou.
Para a empresária, a principal certeza neste momento é que o marido estava preparado para exercer a função que tanto desejava.
“A gente precisa entender o que aconteceu. Um piloto que tem quase mil horas de voo, não é normal acontecer uma coisa dessas”, disse.
Família vivia a paixão pela aviação – A aviação fazia parte da rotina da família. Sempre que possível, Anelize e a filha de 6 anos acompanhavam Henrique em aeroportos, hangares e voos.
Nas redes sociais, as imagens mostram a esposa e a menina compartilhando momentos ao lado do piloto, que transformou em profissão um sonho alimentado durante anos.
“Toda vez que ele ia voar e a gente tinha oportunidade, a gente ia junto”, relembrou.
Ao ser questionada sobre como Henrique era como pai, Anelize confirmou que ele mantinha uma relação muito próxima com a filha.
“Sim, exatamente. O melhor de todos”, respondeu ao ser perguntada se ele era um pai presente, carinhoso e participativo.
Agora, a família tenta lidar com a perda enquanto aguarda os resultados das investigações e os próximos passos para a despedida. “Estamos num momento de luto e vamos viver esse luto”, afirmou.
O acidente – Henrique Martin de Carvalho pilotava a aeronave de pequeno porte que caiu na manhã desta sexta-feira (3), nas proximidades do Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande. Também morreu no acidente a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, de 45 anos, conhecida por pesquisas sobre a fauna do Pantanal.
No momento da queda, a Capital registrava neblina em diferentes regiões. As causas do acidente ainda serão investigadas pelos órgãos responsáveis pela segurança aeronáutica. Até o momento, não há conclusão oficial sobre o que provocou a queda da aeronave.


