Ederson entra, mas Brasil cai para a Noruega na Copa

Campo-grandense entrou na etapa final, mas gols da Noruega logo depois frustraram torcida reunida

Família de Ederson vai do orgulho ao silêncio após eliminação do Brasil
Família de Éderson reunida assistindo jogo do Brasil (Foto: Sofia Lupaes)

A entrada de Ederson na partida entre Brasil e Noruega deveria ser o ponto alto da torcida reunida em Campo Grande. Mas a comemoração durou pouco. O meio-campista campo-grandense entrou aos 34 minutos do segundo tempo, e logo depois a Noruega abriu o placar, mudando completamente o clima entre familiares e amigos que acompanhavam a partida na casa da mãe dele, no bairro Tiradentes.

Familiares e amigos do meio-campista Ederson se reuniram em Campo Grande para acompanhar o jogo entre Brasil e Noruega, válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo. A entrada do jogador aos 34 minutos do segundo tempo gerou vibração entre as cerca de 50 pessoas presentes, mas o clima rapidamente mudou com os dois gols noruegueses. O Brasil foi eliminado por 2 a 1, igualando a campanha de 1990, quando também caiu nesta fase.

Cerca de 50 pessoas estavam reunidas no local para torcer pelo jogador sul-mato-grossense e pela Seleção Brasileira. O Brasil perdeu por 2 a 1, neste domingo (5), foi eliminado nas oitavas de final da Copa do Mundo e igualou a campanha de 1990, quando também caiu nesta fase, contra a Argentina.

Antes dos gols noruegueses, a entrada de Ederson provocou vibração entre parentes e amigos. O orgulho, no entanto, foi quase imediatamente substituído por apreensão e silêncio.

Sidney Francisco, de 43 anos, cacique, contou que acompanha a trajetória do atleta desde o início da carreira. “A gente começou a conhecer o Ederson quando ele começou a jogar no Corinthians, no Cruzeiro. E estamos aqui torcendo por ele na Seleção agora, né?”, disse.

Quando Ederson foi chamado para entrar, Sidney ainda falava em virada. “Foi uma emoção e tanto, né? Graças a Deus que ele está jogando. Tomara que o Brasil vire agora, né? Vamos torcer. Tem mais alguns minutos ainda aí”, afirmou.

Logo depois, veio o primeiro gol da Noruega. “Foi uma tristeza, né? Acabou de entrar, acho que nem tinha nem entrado no campo ainda e o Brasil infelizmente levou um gol”, lamentou.

Mesmo abalado, ele ainda tentava acreditar. “Dá tempo ainda. Tem mais uns cinco minutos pra jogar ainda aí”, disse.

A tia do jogador, Juslene Lourenço, também resumiu a sensação de frustração da família. Para ela, o gol norueguês tirou o brilho do momento mais esperado. “Ofuscou a entrada dele, né? Mas a gente está na esperança ainda, e eu tenho certeza que o Brasil vai virar e o Ederson vai poder fazer uma partida excelente”, afirmou.

Durante a entrevista, saiu o segundo gol da Noruega. No local, as pessoas ficaram caladas. Alguns reclamaram, mas sem gritos. O clima era de choque, daqueles em que a televisão parece falar sozinha.

“De novo outro gol. De novo. Não acredito. Mas é aquele ditado, né? Enquanto há 1% de chance, tem 99% de fé. Então nós somos brasileiros, não desistimos nunca, né? Seguimos aí, na fé. E eu tenho esperança que vai dar certo. Certeza”, disse Juslene.

Ivaneis Gonçalves Moreira, tio de Ederson e cacique da Aldeia Água Funda, também falou sobre a mistura de orgulho e frustração. “A família vibrou muito, né? A família, os amigos, mas infelizmente logo que ele entrou, saiu o gol da Noruega, né? Mas agora vamos ver se o Brasil consegue empatar”, afirmou.

Segundo ele, a família mal conseguiu aproveitar a entrada do jogador. “Nem aproveitar, porque ele acabou de entrar e acabou de sair o gol. Foi uma coisa muito rápida, né? Foi uma frustração logo em seguida. Frustração logo em seguida, agora estamos aí apreensivos”, disse.

Antes do apito final, Ivaneis ainda apostava em empate e prorrogação. “Acreditamos que vai dar certo, ainda tem tempo para conseguir empatar e levar a prorrogação, vamos dizer assim. De repente, conseguir até na prorrogação uma vitória”, afirmou.

Família de Ederson vai do orgulho ao silêncio após eliminação do Brasil
Edithe Cândido dos Santos, de 73 anos, avó de Éderson (Foto: Sofia Lupaes)

A avó de Ederson, Edithe Cândido dos Santos, de 73 anos, também acompanhou a partida com a família. Ela disse que não conseguiu falar com o neto antes do jogo e afirmou que, apesar da alegria por vê-lo entrar em campo, a tristeza pela eliminação falou mais alto. “É muito triste, né, a gente perder, né? Eu sabia, eu sabia que esse jogo ia… Ele ia perder, quando eu vi esse homem aí, o Haaland, jogando no outro, ele sempre ganhando, ganhando, né? Aí, quando o Brasil ia pegar, eu falei… despedida”, disse.

O gol de Neymar, em cobrança de pênalti aos 54 minutos do segundo tempo, diminuiu o placar, mas não evitou a eliminação. Depois do apito final, a tristeza tomou conta da casa. Entre os mais abalados estava Vinicius Dantas, de 11 anos, que ficou quase chorando com a queda da Seleção. “Agora não tem o que fazer. O sonho do hexa só daqui a quatro anos”, disse o menino.

Vinicius contou que acreditava na vitória, principalmente porque o Brasil teve dois pênaltis durante a partida. Para ele, a Seleção também desperdiçou muitas oportunidades, incluindo uma chance de Endrick.

Família de Ederson vai do orgulho ao silêncio após eliminação do Brasil
Vinicius com os olhos marejados após eliminação do Brasil (Foto: Sofia Lupaes)

A mãe dele, Laurigia Dantas, de 38 anos, é casada com um primo de Ederson. Ela disse que se emocionou ao ver o filho tão triste com a eliminação. “Eu chorei de ver ele chorando porque ele estava muito esperançoso por essa época, ele acompanhou todos os jogos, ele entende tudo de futebol, ele ficou muito emocionado”, contou.

Como torcedora, Laurigia também lamentou a derrota, mas destacou a expectativa criada pela entrada de Ederson no segundo tempo. “A gente fica emocionada, fica triste, chateada pelo Brasil, né? Estava todo mundo muito esperançoso, até porque agora no segundo tempo ele entrou, a gente estava muito esperançoso, a família toda, né? A mãe dele ficou ansiosa, ela nem senta, mas vai ter que ficar para a próxima”, afirmou.

Para a próxima Copa, ela espera ver Ederson novamente convocado. “Com toda certeza, todos eles e mais experientes, com menos lesões, mais empolgados para trazer esse hexa”, disse.

Laurigia também acredita que o Brasil poderia ter vencido. “Com certeza! É um pênalti que não dava pra ter perdido, né? Teve momentos que eram pra ser nosso, mas o jogo é assim, né?”, afirmou.

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