Dourados gastou R$ 13 mi em kits pedagógicos investigados

A prefeitura comprou 132.705 unidades por R$ 13 milhões em duas contratações distintas entre 2023 e 2024

Dourados pagou até R$ 169,00 por kit pedagógico de editora investigada
Professores que passaram pela formação oferecida pela Editora Avante no ano passado. (Foto: Prefeitura de Dourados)

A prefeitura que mais gastou com os materiais pedagógicos da Editora Avante (Souza & Fanaia Comercio De Livros E Serviços Editoriais Ltda) foi a de Dourados, onde foram adquiridos 132.705 kits por R$ 13 milhões em duas contratações distintas. A primeira, entre setembro de 2023 e janeiro de 2025, custou R$ 4,3 milhões, e a outra, entre julho de 2024 e julho de 2025, custou R$ 8,7 milhões. A rede municipal contava com 33.965 estudantes até o ano passado.

A prefeitura de Dourados, no Mato Grosso do Sul, foi a que mais gastou com materiais pedagógicos da Editora Avante, adquirindo 132.705 kits por R$ 13 milhões em duas contratações realizadas na gestão de Alan Guedes (2021-2024). Os kits, destinados a cerca de 33.965 estudantes, abordavam temas como autismo e protagonismo escolar. A gestão atual informou que não comentará contratos anteriores e que o caso está com as autoridades competentes.

A compra ocorreu durante a gestão municipal anterior, de Alan Aquino Guedes (PP-MS), que comandou a segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul entre 2021 e 2024. Na época, professores passaram por um curso relacionado aos kits comprados, que tratam de temas como autismo, musicalização e incentivo ao protagonismo escolar.

Publicação de junho de 2024 na página da Prefeitura de Dourados indica que pelo menos 200 professores e coordenadores da pré-escola ao 9º ano participaram da formação, que ocorreu na semana de 3 a 7 de junho.

Dourados pagou até R$ 169,00 por kit pedagógico de editora investigada
Quantidade e preços dos kits comprados pela prefeitura. (Foto: Portal da Transparência)

Na postagem, uma das informações é de que a “iniciativa engloba projetos que visam integrar professores, estudantes e suas famílias em diversas ações”, usando por exemplo um dos livros chamados “O Mundo do Theo”, voltado para crianças da pré-escola até o 5º ano.

Na mesma publicação foi destacada a participação no projeto “Craque na Vida”, também realizada na Capital e que visava incentivar o protagonismo estudantil por meio da identificação de habilidades, além de prevenção ao bullying e ao uso de drogas.

Nela, a prefeitura informou também que os projetos eram oferecidos pela Editora Avante e faziam parte de “experiências pedagógicas diferenciadas”, com “ações didático-pedagógicas envolventes que visam promover reflexões, ações preventivas e avaliações de condutas que levam a tomada de decisão positiva e melhora de comportamentos”. A formação tinha 20 horas de aula em vídeo, além do material.

Preços – Mas o que chama atenção são os valores unitários de cada kit, sendo o mais caro de R$ 169,29. Se refere ao livro “Coleções Cores, Formas, Letras, Número e Contrários”, do qual foram compradas 2,2 mil unidades, totalizando R$ 372,4 mil. A maior quantidade adquirida foi do item “Mosquito, aqui não!”, com a compra de 22.145 livros ao custo de R$ 82,00, que somaram R$ 1,8 milhão.

Dourados pagou até R$ 169,00 por kit pedagógico de editora investigada
Alguns dos livros adquiridos pela Prefeitura de Dourados. (Foto: Reprodução/Colagem/Editora Avante)

A segunda maior compra foi do livro “Droga o que é? Atenção aos perigos”, que somou R$ 1,9 milhão para 17.060 unidades por R$ 114,00 cada uma.

Em nota, a prefeitura de Dourados disse que “não vai se manifestar sobre contratos assinados na gestão anterior e que esse caso está sendo tratado pelas autoridades competentes”, além de enfatizar que “nessa gestão não houve qualquer relação comercial com a empresa investigada pelo Gaeco”.

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