Santiago Leguizamón Zaván foi assassinado a tiros no centro de Pedro Juan Caballero em 26 de abril de 1991
Por Helio de Freitas, de Dourados | 21/07/2026 09:25

Uma manifestação nesta segunda-feira (20) lembrou o assassinato do jornalista paraguaio Santiago Leguizamón Zaván, executado a mando do crime organizado no dia 26 de abril de 1991.
Familiares, entidades de direitos humanos e o Sindicato dos Jornalistas do Paraguai realizaram nesta segunda-feira (20) um ato em memória do jornalista Santiago Leguizamón Zaván, assassinado a 21 tiros em 26 de abril de 1991, em Pedro Juan Caballero. O evento também cobrou o cumprimento da condenação do Estado paraguaio pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, emitida em dezembro de 2022, por violação à liberdade de expressão do jornalista.
Organizado pelos familiares, pela Coordenação dos Direitos Humanos do Paraguai e pelo Sindicato dos Jornalistas do país vizinho, o ato ocorreu na Praça do Periodista, construída no local onde Leguizamón foi assassinado a tiros, no Centro de Pedro Juan Caballero, cidade vizinha de Ponta Porã (MS).
Além de lembrar o assassinato, a manifestação serviu para cobrar o cumprimento da condenação do Estado paraguaio pelo assassinato.
A sentença foi emitida pela Corte Interamericana de Direitos Humanos em 16 de dezembro de 2022. A entidade internacional considerou o Estado paraguaio como responsável pela violação dos direitos à liberdade de expressão e de pensamento e à integridade física do jornalista.
Leguizamón foi executado com 21 tiros. Um mês antes do crime, como correspondente do jornal diário “Noticias”, ele ajudou a elaborar série de reportagens investigativas apontando cumplicidade de integrantes do governo paraguaio com os “barões” do tráfico de drogas, da lavagem de dinheiro, do contrabando de soja e do roubo de veículos.
As reportagens citavam como um dos principais chefões do narcotráfico na região o empresário Fahd Jamil, conhecido do lado paraguaio da fronteira como “El Turco”.
“Não estamos aqui apenas para recordar Santiago Leguizamón, mas também para exigir que o Estado cumpra sua obrigação de reparar, reconhecer sua responsabilidade e de garantir que atos como esse não voltem a acontecer”, afirmou Dante Leguizamón, filho de Santiago.