Recursos incluem linhas para custeio, investimentos, CPR e crédito em dólar para exportadores.

O agronegócio brasileiro contará com um reforço de R$ 72,1 bilhões em crédito por meio do Sicredi durante o Plano Safra 2026/2027. O montante, que representa crescimento de 4,4% em relação ao ciclo anterior, será distribuído em aproximadamente 340 mil operações e reforça a estratégia da instituição financeira cooperativa de ampliar o apoio ao setor em um momento de custos elevados de produção e necessidade crescente de investimentos.
O Sicredi anunciou R$ 72,1 bilhões em crédito rural para o Plano Safra 2026/2027, crescimento de 4,4% em relação ao ciclo anterior, distribuídos em cerca de 340 mil operações. Os recursos incluem R$ 27,6 bilhões para custeio, R$ 15,4 bilhões para investimentos e R$ 9 bilhões em linhas dolarizadas. Pequenos e médios produtores concentrarão 88% das operações, com R$ 13,3 bilhões para agricultura familiar e R$ 14,6 bilhões para médios produtores.
Maior instituição financeira privada em concessão de crédito rural no País, o Sicredi encerrou o último ciclo com uma carteira agro de R$ 121 bilhões e pretende manter o protagonismo no financiamento da produção agrícola brasileira, especialmente entre pequenos e médios produtores, responsáveis por quase nove em cada dez operações previstas para a nova safra.
A maior parte dos recursos será destinada ao custeio da produção, com previsão de R$ 27,6 bilhões para despesas como aquisição de sementes, fertilizantes, defensivos e demais insumos. Outros R$ 15,4 bilhões serão aplicados em investimentos, voltados à modernização das propriedades, compra de máquinas, irrigação e infraestrutura.
Também estão previstos R$ 2 bilhões para comercialização e industrialização da produção, além de R$ 18 bilhões em operações por meio de Cédulas de Produto Rural (CPR), instrumento que tem ganhado espaço como alternativa de financiamento no campo.
Outra frente que deve ganhar força é o crédito em moeda estrangeira. O Sicredi reservou R$ 9 bilhões para linhas dolarizadas, voltadas principalmente aos produtores ligados às cadeias de exportação, oferecendo uma alternativa financeira alinhada às receitas obtidas no mercado externo.
Pequenos e médios concentram recursos
O foco da instituição permanece na base da produção agropecuária brasileira. Do total previsto para o novo Plano Safra, R$ 13,3 bilhões serão destinados à agricultura familiar e R$ 14,6 bilhões aos produtores de médio porte. Somados, esses dois segmentos responderão por 88% das operações que devem ser contratadas durante o ciclo.
Os demais produtores terão acesso a R$ 17,1 bilhões em financiamentos.
Segundo o diretor executivo de Crédito e Segmentos do Sicredi, Gustavo Freitas, a estratégia é manter um atendimento próximo das necessidades regionais do agronegócio.
“Acreditamos que a forma como nos relacionamos com os produtores é um dos grandes diferenciais do cooperativismo. A atuação regional das cooperativas permite compreender a realidade de cada município e oferecer soluções adequadas às características de cada atividade”, afirma.
O executivo destaca ainda que o Sicredi está presente fisicamente em mais de 200 municípios brasileiros onde não há outra instituição financeira.
Crédito vai além da produção
Além do financiamento tradicional, a cooperativa aposta em uma oferta mais ampla de soluções financeiras para o campo.
Segundo o superintendente de Agronegócio, Vitor Moraes, os produtores têm acesso a linhas para aquisição de máquinas por meio de consórcios, seguros rurais, investimentos, meios de pagamento e outros serviços que complementam o planejamento financeiro da atividade.
A instituição também mantém posição de destaque nas operações realizadas com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em 2025, intermediou R$ 11,2 bilhões em financiamentos, dos quais R$ 8,6 bilhões foram destinados exclusivamente ao agronegócio.
Recorde na safra anterior
O novo volume anunciado sucede um ciclo considerado histórico para o Sicredi. No Plano Safra 2025/2026, a instituição liberou R$ 69 bilhões em mais de 320 mil operações, incluindo R$ 16,9 bilhões em CPR.
Os financiamentos foram distribuídos entre R$ 25,6 bilhões para custeio, R$ 18,7 bilhões para investimentos e R$ 2 bilhões destinados à industrialização e comercialização da produção, consolidando a cooperativa como um dos principais agentes privados do crédito rural brasileiro