Projeto reúne participantes duas vezes por semana e também pretende ampliar as ações na rede de ensino

O projeto “Carlinhos e as Super Mães Atípicas”, idealizado pela influenciadora Gisele Mendonza, ganhou um novo braço voltado às crianças. Batizada de “Turminha do Carlinhos”, a iniciativa nasceu com o propósito de levar diversão, alegria e, principalmente, inclusão para escolas e também promover momentos de lazer para crianças atípicas, realidade ainda pouco acessível para muitas famílias.
A novidade amplia um trabalho que surgiu a partir da própria experiência de Gisele, de 39 anos, mãe solo de Carlinhos, que nasceu com apenas cinco meses de gestação. A prematuridade extrema deixou sequelas como deficiência visual, perda total da visão de um dos olhos, baixa visão no outro, microcefalia e atraso global no desenvolvimento.
Foi dessa vivência que nasceu o projeto voltado às mães atípicas, que hoje reúne mais de 60 mulheres em encontros mensais realizados na casa da influenciadora, no bairro Pioneiros, com café da manhã, rodas de conversa e, quando há apoio, serviços de beleza para fortalecer a autoestima e criar uma rede de acolhimento.
Agora, a proposta também passa a olhar diretamente para os filhos dessas mulheres.
“Criei isso porque sinto falta de encontrar lugares para meu filho brincar. Ligamos para espaços de recreação e, quando falamos que é uma criança atípica, dizem que não há vaga para receber. Mas a verdade é que muitos não estão preparados para lidar com essas crianças”, afirma Gisele.
Ela destaca que a rotina dessas famílias costuma ser marcada por consultas médicas e terapias.

“Os nossos filhos vivem entre médicos e terapias. Quase nunca têm um momento de diversão e brincadeira”, completa.
Além das ações que serão levadas às escolas, a Turminha do Carlinhos promove encontros duas vezes por semana para crianças atípicas. Durante as atividades, elas participam de oficinas de pintura, experiências sensoriais e brincadeiras adaptadas.
As canções utilizadas no projeto são compostas especialmente por Marielle Santana, cantora, compositora, amiga de Gisele há dez anos e uma das principais apoiadoras da iniciativa.

O primeiro encontro aconteceu na terça-feira (30) e reuniu uma equipe formada pela recreadora Raquel Barrios, pela técnica de enfermagem Bianca Stefany Oliveira da Silva e pela psicóloga infantil Carolina Lopes Amâncio, além de outros voluntários.
Entre eles está a empresária Alessandra Alencar, que acompanha o trabalho de Gisele há mais de três anos. Segundo ela, a proposta atende uma necessidade que muitas famílias vivem diariamente.
“Quando a Gisele apresentou esse projeto para proporcionar um dia de diversão para essas crianças, eu abracei a causa. Quem convive com essas mães sabe que a rotina delas é praticamente toda voltada para médicos e terapias, então quase não existe esse momento de lazer. Nosso desejo é levar essa iniciativa para todo o Estado, para que mães de outros municípios também abracem essa causa e criem uma extensão do projeto onde vivem”, afirma.
Para Alessandra, fazer parte da iniciativa tem um significado especial.
“É muito gratificante participar de tudo isso. Viemos ao mundo para servir as pessoas, e só quem convive com essas mães conhece os desafios que elas enfrentam diariamente.”
A mãe atípica Emmilly Aparecida Costa Queiroz, mãe de Abner Queiroz dos Santos, de 7 anos, conta que conheceu o projeto há cerca de um ano. O menino tem paralisia cerebral neuromotora e é cadeirante.
“Desde que conhecemos o projeto, nossa vida ganhou muitos momentos de alegria nos encontros em que nos reunimos para cuidar também de nós. E esse encontro voltado para as crianças foi sensacional”, relata.

Ela conta que, além dos desafios da maternidade atípica, descobriu um câncer e precisou enfrentar quimioterapia e radioterapia enquanto seguia nos cuidados integrais com o filho.
“A maternidade atípica já exige uma carga física e mental muito grande. Enfrentar uma doença grave ao mesmo tempo em que se cuida de um filho totalmente dependente parece, muitas vezes, uma missão impossível. Foi no Carlinhos e as Super Mães Atípicas que encontrei meu ponto de equilíbrio.”
Segundo Emmilly, os encontros se transformaram em um espaço de acolhimento.
“Ali, eu não sou apenas a mãe que luta pelo filho, nem a paciente que luta contra o câncer. Sou acolhida, ouvida e cuidada por mulheres que entendem exatamente o peso das minhas lágrimas e a força do meu sorriso. Os encontros fazem um bem imensurável para minha saúde mental e física. O projeto nos mostra que autocuidado não é egoísmo, é sobrevivência.”
Responsável pelas composições da “Turminha do Carlinhos”, Marielle Santana acompanha a trajetória da amiga desde a gravidez de Carlinhos e afirma que decidiu caminhar ao lado dela desde o início.
“Quando ela falou sobre o projeto, decidi apoiar, dar ideias e compor as músicas. Estou muito feliz por fazer parte de tudo isso. Ela confia muito em mim, e eu sempre procuro dar o meu melhor para que esse projeto continue crescendo.”
Marielle diz que considera Carlinhos como um sobrinho e se emociona ao acompanhar os encontros.
“Só de ver o sorriso de cada criança, poder proporcionar um momento de lazer e perceber as mães confortáveis dentro desse projeto de inclusão já vale tudo. Ver a felicidade estampada no rosto de cada um enche meu coração de alegria.”
Além dos encontros presenciais, Gisele também amplia o debate sobre maternidade atípica por meio do podcast “Pogicast Gisele Mendonza”, em que compartilha relatos reais, desafios do cotidiano e conversa com outras mães, sempre sem romantizar essa realidade.
Rede solidária – Quem deseja conhecer o projeto “Carlinhos e as Super Mães Atípicas”, apoiar a iniciativa ou contribuir com doações, serviços e parcerias pode entrar em contato diretamente com Gisele Mendonza pelo WhatsApp (67) 99248-9925 (Clique aqui).
As ações também são divulgadas no perfil @mendonzagisele no Instagram.
