Estado soma 76 mortos até hoje, três a mais que os 73 registrados ao longo dos 12 meses de 2025

Mato Grosso do Sul precisou de pouco mais de seis meses para superar o número de mortes decorrentes de ações das forças de segurança registrado durante todo o ano passado. Até esta quinta-feira (9), 76 pessoas morreram em ocorrências envolvendo agentes do Estado em 2026.
Em pouco mais de seis meses, Mato Grosso do Sul registrou 76 mortes em ocorrências envolvendo agentes do Estado em 2026, superando as 73 registradas em todo o ano de 2025, segundo dados da Sejusp. A 76ª morte ocorreu na madrugada de quinta-feira (9), em Campo Grande, quando Fernando Ferraz Fernandes, 35 anos, foi baleado por policiais militares durante uma abordagem. O maior índice dos últimos cinco anos foi em 2023, com 131 mortos.
Conforme dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), em todo o ano de 2025, foram 73 mortos em 64 ocorrências. O número deste ano já é três mortes maior que o acumulado nos 12 meses do ano passado, mesmo com quase metade de 2026 ainda pela frente.
Os dados públicos da Sejusp, porém, ainda não acompanham a contagem dos casos mais recentes. No painel estatístico constam 67 mortes em 2026, nove a menos que as 76 já contabilizadas pelo Campo Grande News.

A 76ª morte ocorreu na madrugada desta quinta-feira, em Campo Grande. Fernando Ferraz Fernandes, de 35 anos, morreu após ser baleado por policiais militares durante uma abordagem na Avenida Duque de Caxias, no Bairro Nova Campo Grande. Segundo o boletim de ocorrência, ele teria sacado uma arma e apontado contra a equipe. Fernando foi socorrido, mas morreu na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Santa Mônica.
As duas mortes anteriores haviam sido registradas ontem. Em Ponta Porã, Robson Dantas Moreira, de 35 anos, foi morto durante uma ação da Derf (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos). Conforme a Polícia Civil, ele teria reagido à abordagem. O caso foi contabilizado como a 74ª morte por intervenção policial no Estado neste ano.

Horas depois, em Nova Andradina, um homem identificado apenas como Leandro morreu durante uma intervenção da Polícia Militar no Bairro Argemiro Ortega. Segundo informações preliminares, ele teria atirado contra os policiais durante a abordagem. Foi a 75ª morte do ano.
Na terça-feira, um adolescente de 17 anos morreu durante uma ação de policiais civis e militares em uma granja na região do distrito de Itahum, em Dourados. Segundo a polícia, ele era apontado como integrante do Comando Vermelho e suspeito de participação em homicídios e tentativas de homicídio em Caarapó. O caso marcou a 73ª morte por intervenção policial de 2026, igualando, naquele momento, todo o resultado registrado em 2025.
Na comparação dos últimos cinco anos completos, de 2020 a 2025, o maior número foi registrado em 2023, quando Mato Grosso do Sul contabilizou 131 mortos em 108 ocorrências. Agora, com 76 mortes até 9 de julho, 2026 já deixou para trás todo o acumulado do ano passado e avança com mais cinco meses pela frente.
O cenário coloca MS entre os estados com maior letalidade policial do país, segundo o relatório “Diagnóstico sobre a Investigação de Homicídios no Brasil”, do Instituto Sou da Paz, elaborado com base em dados oficiais de 2023.
O estudo aponta que o Estado ocupa a 8ª posição no ranking nacional de mortes decorrentes de intervenção policial, com taxa de 4,6 casos por 100 mil habitantes, acima da média brasileira, de 3 por 100 mil habitantes.
O levantamento também mostra que essas ocorrências representaram 21,8% das MVI (Mortes Violentas Intencionais) registradas em MS, o 5º maior percentual do país, enquanto a média nacional foi de 13,8%.
