Toda decisão tem um preço — e a indecisão cobra juros

A maioria das pessoas acredita que o difícil é tomar uma decisão.

Eu acho que não.

O difícil é aceitar o preço da decisão.

Porque toda decisão exige abrir mão de alguma coisa. E talvez exista uma mentira que a gente aprende muito cedo. A de que existe uma decisão sem custo.

 Não existe.

Toda decisão cobra alguma coisa. E toda indecisão também.

 A diferença é que, quando decidimos, escolhemos o preço. Quando adiamos … é o preço que escolhe a gente.

Talvez seja por isso que tantas pessoas passem anos esperando pela decisão perfeita. Esperando o momento certo. Esperando ter certeza. Esperando sentir segurança.

Mas existe um detalhe que quase ninguém percebe. A vida nunca ofereceu decisões perfeitas. Ela sempre ofereceu escolhas. E toda escolha exige abrir mão de alguma coisa.

 Quem decide vender uma empresa paga um preço.

 Quem decide continuar também.

Quem enfrenta uma conversa difícil dentro da família paga um preço.

Quem prefere o silêncio também.

Quem muda de profissão paga um preço.

Quem permanece onde está também.

Quem decide entrar com um pedido de recuperação judicial paga um preço.

Quem prefere não entrar, muitas vezes, paga outro.

 Quem encerra uma sociedade paga um preço.

 Quem insiste nela por medo de mudar também.

 Durante muito tempo, eu achei que maturidade era aprender a tomar as decisões certas.

 Hoje penso diferente.

Talvez maturidade seja entender que nenhuma grande decisão acontece sem alguma renúncia.

 Porque decidir nunca foi escolher entre o certo e o errado. Na maioria das vezes … é escolher qual renúncia faz mais sentido.

 É curioso.

 A maior parte das pessoas passa a vida tentando fugir do preço de decidir.

 Sem perceber que acaba pagando um preço ainda maior. O de deixar que o tempo decida por elas. E o tempo costuma ser um negociador implacável.

Ele não pergunta. Não avisa. Não concede descontos. Apenas apresenta a conta.

Talvez seja por isso que, olhando para trás, tantas pessoas não se arrependam das decisões que tomaram. Elas se arrependem das decisões que adiaram.

Hoje, quando converso com empresários, famílias e amigos, percebo que quase nunca a pergunta mais importante é:

“Qual é a melhor decisão?”

 A pergunta costuma ser outra.

 Qual preço você está disposto a pagar?

Porque, no fim das contas, a vida nunca nos dá a opção de não pagar.

 Toda decisão tem um preço. Mas a indecisão costuma cobrar juros.

 Rodrigo Gonçalves Pimentel é advogado (OAB/SP 421.329 | OAB/DF 68.003 | OAB/MS 16.250), empresário e corretor de imóveis (CRECI/MS 11.939). Sócio do Pimentel & Mochi Advogados e gestor da Todeschini MS e RP Imóveis. Foi Secretário de Governo e Presidente da Fundação de Cultura de Campo Grande. Siga no Instagram: @rodrigogpimentell

(*) Rodrigo Gonçalves Pimentel é advogado (OAB/SP 421.329 | OAB/DF 68.003 | OAB/MS 16.250), empresário e corretor de imóveis (CRECI/MS 11.939). Sócio do Pimentel & Mochi Advogados e gestor da Todeschini MS e RP Imóveis. Foi Secretário de Governo e Presidente da Fundação de Cultura de Campo Grande.

Siga no Instagram: @rodrigogpimentell

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