Moradora da região contou que Vinícius Barbosa era tranquilo e trabalhava limpando terrenos baldios
A casa onde Vinícius Barbosa de Carvalho, de 25 anos, morava com a mãe, no Bairro Nova Lima, permanece fechada desde que o jovem foi morto a facadas em frente a uma igreja, no último domingo (19). A reportagem esteve no imóvel nesta terça-feira (21), mas não encontrou familiares. Segundo uma vizinha, que pediu para não ser identificada com medo da violência crescente do bairro, a mãe do rapaz deixou de permanecer no local após o crime e voltou apenas duas vezes para retirar alguns pertences.
Vinícius Barbosa de Carvalho, de 25 anos, foi morto a facadas no Bairro Nova Lima após se envolver em uma briga. O suspeito José Augusto Ortega da Silva, de 47 anos, foi preso e confessou o crime. Vizinhos descrevem Vinícius como educado, mas dependente químico. Uma vizinha revelou que ele próprio previu sua morte aos 25 anos. Sua mãe deixou a residência após o ocorrido.
De acordo com a moradora, Vinícius e a mãe viviam sozinhos na residência. Ela conta que o jovem fazia trabalhos de limpeza de terrenos e, eventualmente, prestava serviços em fazendas da região. Já a mãe dele sobreviveria da coleta de materiais recicláveis.
A vizinha relata que Vinícius era dependente químico, assim como a mãe. No entanto, ele era visto como um homem educado e prestativo. Segundo ela, o rapaz mantinha boa convivência com os moradores da rua e raramente se envolvia em conflitos.
“Ele era tranquilo com os vizinhos, nunca tivemos problemas com ele. Bebia e usava drogas, mas o maior problema era a bebida. Quando bebia, acabava arrumando confusão. No dia em que morreu, passou o dia inteiro bebendo”, contou.
A vizinha lembra que chegou a aconselhar o jovem sobre os riscos do uso de drogas. Segundo ela, Vinícius respondeu de forma que hoje considera difícil de esquecer. “Eu falei para ele parar, ter cautela, porque, se continuasse daquele jeito, morreria aos 25 anos. Ele respondeu: ‘Tá bom, tenho mais um ano pela frente'”, disse a moradora.
Ainda segundo ela, Vinícius tinha consciência dos impactos da dependência química e, em algumas ocasiões, aconselhava outras pessoas a não seguirem o mesmo caminho. “Ele dizia para o filho de uma amiga nunca usar drogas, porque elas só levam para dois caminhos: a morte ou a cadeia. É triste, porque foi justamente isso que aconteceu com ele”, comentou.
Segundo a vizinha, a situação da residência também preocupa os moradores da região. Ela afirma que o imóvel acumula móveis, objetos e outros materiais na área externa, o que tem favorecido o aparecimento de ratos, baratas e outros animais. “Tem sofá, colchão, lixeira, plantas e muito entulho. A gente já enfrenta problemas com baratas e ratos. Do jeito que está, também há risco de aparecer escorpião e aumentar a quantidade de mosquitos”, reclamou.
Ela também contou que, dias antes da morte de Vinícius, um dos irmãos dele esteve na residência para providenciar uma nova documentação do rapaz. Os documentos haviam sido destruídos em um incêndio que atingiu o imóvel anteriormente. “Ainda bem que o irmão fez isso. Se não tivesse providenciado os documentos, ele poderia até ter sido identificado como indigente depois da morte”, lamentou.
Caso – Vinícius foi esfaqueado no cruzamento das ruas dos Poetas e Capitólio, no Bairro Nova Lima, após se envolver em uma briga. Segundo testemunhas, três homens participavam da confusão e um deles estava armado com uma faca.
O jovem foi atingido por cinco golpes nas costas. Equipes de resgate conseguiram reanimá-lo ainda no local e o encaminharam em estado grave para a Santa Casa, mas ele não resistiu aos ferimentos.
O suspeito do crime, José Augusto Ortega da Silva, de 47 anos, foi preso e confessou o homicídio. Ele possui extensa ficha criminal, com condenações por roubo, sequestro, cárcere privado, furtos e diversas fugas do sistema prisional.
José passou por audiência de custódia nesta terça-feira (21) e teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva.


