Axia Energia vence leilão de subestação em MS por R$ 150,7 mi

Axia vence leilão de subestação atrasada desde 2024 após impasse com antiga concessionária

Projeto de energia de R$ 150,7 milhões em MS ganha nova responsável
Rede elétrica fiscalizada pela Aneel. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

A Axia Energia Sul arrematou nesta sexta-feira (3), em leilão da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) na B3, em São Paulo, o lote de R$ 150,7 milhões que prevê a implantação da Subestação Iguatemi 2 e linhas de transmissão no sul de Mato Grosso do Sul. A empresa assumirá um projeto que deveria ter entrado em operação em setembro de 2024, mas acumulou atrasos sob responsabilidade da antiga concessionária.

A Axia Energia Sul arrematou o lote de R$ 150,7 milhões para implantação da Subestação Iguatemi 2, em Mato Grosso do Sul, em leilão da Aneel realizado nesta sexta-feira (3) na B3. A empresa ofereceu RAP de R$ 10,8 milhões, com deságio de 59,04%. O projeto, que deveria ter entrado em operação em setembro de 2024, acumulou atrasos sob responsabilidade da antiga concessionária MEZ Energia, levando a Aneel a recomendar a retirada de suas concessões.

A companhia venceu a disputa ao oferecer RAP (Receita Anual Permitida) de R$ 10,8 milhões, com desconto de 59,04% sobre o teto definido pela Aneel. Outras cinco empresas e consórcios disputaram o lote sul-mato-grossense.

O projeto prevê a implantação da Subestação Iguatemi 2, de 230/138 kV, com capacidade de 300 MVA, além de dois trechos de 3,1 quilômetros de linhas de transmissão em 230 kV. A estrutura fará a conexão com a linha Guaíra-Dourados C1 e atenderá a região de Naviraí.

O leilão desta sexta abre um novo capítulo de um empreendimento que se arrasta há anos. A obra original ficou sob responsabilidade da MEZ Energia após leilão realizado em 2020 e tinha prazo para entrar em operação em 30 de setembro de 2024.

O cronograma não avançou como previsto. Em setembro de 2025, levantamento publicado pelo Campo Grande News mostrou que o projeto registrava 40% de avanço global, mas as obras civis permaneciam em 0%. A etapa eletromecânica tinha apenas 4% de execução, enquanto as fases elétrica e de comissionamento não apresentavam avanço.

Na época, a MEZ informava 83% de avanço no licenciamento ambiental e 100% na regularização fundiária. Apesar dessas etapas, a construção da infraestrutura principal ainda não havia começado.

O atraso levou a Aneel a recomendar ao MME (Ministério de Minas e Energia), em maio de 2025, a retirada de cinco concessões da MEZ, entre elas a responsável pelo empreendimento de Mato Grosso do Sul. A agência apontou descumprimento dos cronogramas e considerou insuficientes as justificativas apresentadas pela empresa.

A MEZ atribuiu os atrasos à pandemia de covid-19, à alta no preço de equipamentos e aos efeitos da guerra na Ucrânia. A Aneel sustentou que esses fatores faziam parte dos riscos assumidos pela concessionária e defendeu a transferência dos projetos para novos responsáveis.

A recomendação abriu um impasse com o Ministério de Minas e Energia. Em vez de retirar imediatamente as concessões, a pasta levou o caso ao TCU (Tribunal de Contas da União) e buscou uma solução negociada para os contratos.

A Aneel chegou a preparar a inclusão dos empreendimentos atrasados em um leilão previsto para outubro de 2025. Em setembro, porém, retirou os projetos da disputa a pedido do ministério, que alegou que o caso ainda estava sob análise do TCU.

A decisão adiou novamente a tentativa de retomada da Subestação Iguatemi 2. O lote voltou ao calendário de leilões de 2026 e foi arrematado nesta sexta-feira pela Axia Energia Sul.

Além da vencedora, disputaram o empreendimento a Cox Brasil, a Zopone Engenharia e Comércio, a Engepar Engenharia e Participações, a Cymi Construções e Participações e o Consórcio Olympus.

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