Fumantes buscam ajuda, mas abandono do tratamento antes de 6 meses preocupa a Sesau
Após 16 anos como fumante, Cynthya Pinheiro, de 27 anos, decidiu iniciar o tratamento contra o tabagismo. Ela está entre as 8.477 pessoas que procuraram uma unidade de saúde em Campo Grande em busca de apoio para parar de fumar.
Em Campo Grande, 8.477 pessoas buscaram tratamento contra o tabagismo nas unidades de saúde municipais, quase o dobro dos 4.096 atendimentos registrados em 2022. O programa da Sesau oferece acompanhamento multidisciplinar em mais de 35 unidades, com taxa de adesão inicial de 58%, que cai para 33% no sexto mês. O perfil dos pacientes mostra que 62% são mulheres e 72% têm mais de 40 anos.
Gerente de comunicação, ela conta que começou a fumar ainda jovem, influenciada por amigos. A decisão de abandonar o hábito veio ao pensar na filha, de 10 anos. “Eu não queria prejudicar ou influenciar a minha filha. Achei que não combinava mais com quem eu quero ser”, explica.
O tratamento começou após consulta com clínico geral em uma unidade de saúde. No dia 4 de maio, ela viu um aviso sobre o programa. “É a primeira vez que faço esse tratamento. Eu nem sabia que existia isso no SUS”, relata.
Os encontros, inicialmente semanais, passaram a ser quinzenais após o primeiro mês. Segundo Cynthya, o acompanhamento é multidisciplinar. “Eles acompanham de perto, em todas as áreas, inclusive com nutricionista e psicólogo”, afirma.
Apesar do suporte, ela destaca que o processo exige persistência e apoio. “É bem difícil, há recaídas, mas o grupo dá um incentivo muito grande para continuar tentando”, diz.
Desde 2022, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) registra aumento no número de atendimentos a pessoas tabagistas. Naquele ano, foram 4.096 acompanhamentos. Em 2025, o número chegou a 8.477, praticamente o dobro.
De acordo com a secretaria, o crescimento está ligado à ampliação da rede de atendimento. “No primeiro quadrimestre de 2026, 255 pessoas participaram dos grupos de abstinência ao tabaco, frente a 136 no mesmo período de 2025”, informa.
Dados do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) de 2023 indicam que a prevalência de fumantes na população adulta de Campo Grande é de 12,5%.
Já o perfil dos pacientes atendidos nos quatro primeiros meses deste ano aponta que 62% são mulheres, 59% se autodeclaram pretos ou pardos e 72% têm mais de 40 anos. O levantamento também mostra que 66% dos fumantes que buscaram tratamento utilizaram medicamentos como apoio, enquanto 77% apresentaram fatores de risco associados.
Apesar do aumento na procura, a permanência no tratamento ainda é um desafio. O protocolo prevê 16 encontros, com maior intensidade nos primeiros meses. A taxa de adesão inicial é de 58%, mas cai ao longo do acompanhamento, chegando a 33% no sexto mês.
“Outro desafio é a crescente experimentação de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens. Diante disso, o município reforça ações de educação em saúde, conscientização sobre os riscos da dependência de nicotina e articulação entre os setores de saúde e educação, com foco na prevenção e promoção de hábitos saudáveis”, destaca a Sesau.
Para participar do programa, é necessário procurar uma USF (Unidade de Saúde da Família), onde é feito o encaminhamento. Atualmente, mais de 35 unidades na Capital estão capacitadas para oferecer o tratamento.
