Danças circulares: roda de paz e pertencimento em MS

O que pode parecer “coisa de doido” para quem observa de longe ganha outro nome quando se entra na roda: pertencimento. No gramado do Parque das Nações Indígenas, desconhecidos se tornam parte de um mesmo movimento de mãos dadas, em círculo, ao som de “Lua de São Jorge”, de Caetano Veloso.

No Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande, o grupo Urucum promove encontros mensais de danças circulares, conduzidos por Leize Demetrio e Thaís Umar. A prática une desconhecidos em rodas abertas ao público, sem exigência de experiência prévia. No Dia Mundial das Danças Circulares, rodas foram formadas em países como México, EUA e Alemanha. O próximo encontro será em 16 de agosto, às 9h, na Portaria Nhandeva.

Ali, não importa quem chegou primeiro ou quem nunca dançou, pois na roda o acolhimento é item indispensável. A condução fica por conta de Leize Demetrio e Thaís Umar, que criaram o Urucum, grupo de estudos voltado às danças circulares. Os encontros são mensais, abertos, e funcionam como convite para integrar corpo, mente e espírito, sem pressa e sem exigência.

No último domingo (5), quando também se celebrou o Dia Mundial das Danças Circulares, o movimento ultrapassou fronteiras. Segundo Leize, rodas foram formadas em diferentes partes do mundo, como México, Estados Unidos, Alemanha e Escócia, todas conectadas por um mesmo propósito.

“Todos com o mesmo objetivo, que é a paz mundial. Então, formamos uma egrégora disponível para todos que estavam na roda, para que possamos trazer essa paz para dentro de nós e, ao mesmo tempo, para aqueles que convivem conosco, por meio da dança”, explicou.

Uma dança que parece “loucura” vira um jeito de se sentir em casa
Mensalmente, participantes se reúnem no Parque das Nações para a prática da dança (Foto: Arquivo Pessoal)

Mas nem tudo é sincronia imediata, há também o desafio do outro e de si. “Você não conhece a pessoa que vai vir corporalmente, não sabe a ritmicidade, a coordenação dela. E ela chega cheia de expectativa. Precisamos acolher esse corpo da forma como ele está e fazer com que, junto aos outros, consigamos alcançar harmonia e sincronicidade na roda”, disse Leize.

E há também o solo onde o círculo é montado, que é irregular e imprevisível. “Outro desafio é o chão onde a gente dança. Ora você pisa na grama, ora em uma folha, em um galho ou em uma pedrinha. Essa imprecisão faz com que você adapte seus passos, a sua dança”, detalhou.

No fim, é menos sobre acertar o passo e mais sobre seguir em movimento. “A vida não é precisa. Existe até uma frase: ‘viajar é preciso, viver não é preciso’. A cada momento surgem desafios, e vamos superando. A dança é isso: vencer os desafios do chão e do próprio corpo para construir uma roda harmônica com todos”, refletiu.

Entre os participantes está o cirurgião-dentista Leonard José Ruas Chelotti, de 41 anos. “Recentemente, uma amiga me falou sobre a dança circular e despertou meu interesse. A primeira impressão que tive foi muito boa. Gosto de eventos assim, ao ar livre, pisando na grama e descalço. Acredito que, sempre que a gente forma uma roda, acontece uma troca de energia muito grande, que desperta bons sentimentos. Também é preciso vencer a barreira da timidez, porque não tenho talento nenhum para a dança, mas acredito que isso vai se desenvolvendo com o tempo.”

A professora de ioga Christiane Nishi conheceu as danças circulares em 2021 e desde então passou a frequentar as rodas. Para ela, a prática vai muito além do movimento do corpo.

“Eu percebi que é mais do que uma simples atividade física. É uma ferramenta integrativa que reverbera no corpo, na mente e no bem-estar emocional. Nas rodas me sinto acolhida, em um ambiente seguro, onde todos dançam de mãos dadas, um ajudando o outro. Existe cooperação, respeito, amor e isso cria um verdadeiro espírito de comunidade”, conta.

Christiane lembra com carinho de uma roda em que crianças, adultos e idosos dançaram juntos. “Tinha uma criança de cerca de 8 anos, uma senhora de 86 e um senhor de 70 anos. Ver todo mundo em sintonia foi lindo.” Hoje, ela também leva a prática para o espaço onde trabalha como fisioterapeuta, instrutora de ioga e pilates, recebendo rodas de danças circulares a cada 15 dias.

O próximo encontro já tem data marcada: será no dia 16 de agosto, às 9h, na Portaria Nhandeva do Parque das Nações Indígenas, com acesso pela Avenida Afonso Pena. A participação é aberta ao público, e mais informações podem ser obtidas pelo WhatsApp (67) 99204-5495.

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