Mesmo após junho, demanda por trajes, comidas típicas e decoração mantém aquecido o comércio local

Quando junho termina, a temporada de bandeirolas, música caipira e comidas típicas está longe de acabar. As tradicionais festas juninas ganham continuidade nas festas julinas, mantendo viva uma das manifestações culturais mais populares do Brasil e abrindo uma nova janela de oportunidades para pequenos empreendedores.
Empreendedores de Mato Grosso do Sul aproveitam as festas julinas para ampliar vendas com roupas típicas, doces e artesanato. Em Campo Grande, o Aide Atelier produz figurinos artesanais desde abril, enquanto em Três Lagoas a confeitaria Deliciê aposta em produtos afetivos. Segundo o Sebrae/MS, conectar produtos à cultura fideliza clientes. A economia criativa representou 1,3% do PIB sul-mato-grossense em 2023.
Em Mato Grosso do Sul, costureiras, confeitarias, artesãos e produtores locais aproveitam o calendário estendido para ampliar as vendas, lançar produtos exclusivos e conquistar novos clientes. A combinação entre tradição e criatividade transforma o período em um dos mais importantes para diversos segmentos da economia.
Além de preservar costumes que atravessam gerações, as festas movimentam o comércio local. Trajes típicos, decoração, doces, bolos, pratos à base de milho, apresentações culturais e eventos comunitários ajudam a impulsionar o faturamento de pequenos negócios que se preparam com meses de antecedência para atender ao aumento da demanda.
A força dessa tradição também aparece no comportamento do público. Segundo a pesquisa Cultura nas Capitais, da JLeiva Cultura & Esporte, as festas juninas estão entre os eventos culturais preferidos dos moradores de Campo Grande e atraem um público duas vezes maior que o Carnaval na capital sul-mato-grossense.
Para a analista-técnica do Sebrae/MS, Lucielle Lima, esse interesse crescente transforma o período em uma oportunidade estratégica para quem empreende.
“Quando o empreendedor consegue conectar seus produtos às tradições e às emoções vividas pelos consumidores, ele cria uma experiência diferenciada. Isso fortalece a marca, amplia as vendas e fideliza clientes”, destaca.
Costura ganha ritmo acelerado
No bairro Universitário, em Campo Grande, o som das máquinas de costura anuncia que a temporada segue em alta. No Aide Atelier, vestidos rodados, camisas xadrez, laços, calças e acessórios são confeccionados artesanalmente para atender famílias, escolas e grupos de quadrilha.
A proprietária, Adeilze Fernandes de Amorim, conta que o planejamento começa bem antes da chegada das festas.
“A nossa produção é totalmente artesanal. Por isso começamos a nos preparar ainda em abril, comprando tecidos exclusivos e organizando a produção. As peças temáticas atraem novos clientes e fortalecem o relacionamento com quem já conhece nosso trabalho”, afirma.
Além dos figurinos típicos, o atelier também realiza ajustes, reformas e consertos de roupas, ampliando as opções de atendimento durante o ano.
Sabores que despertam memórias
Em Três Lagoas, a criatividade também invade a cozinha. Na confeitaria Deliciê Bolos e Doces, o clima das festas aparece tanto na decoração quanto no cardápio.
Bandeirolas, embalagens personalizadas e doces decorados fazem parte da experiência oferecida aos clientes. Os tradicionais bolos caseiros dividem espaço com brigadeiros gourmet, sobremesas e produtos inspirados nas festas populares.
Para as empreendedoras Haysla Souza e Aline Souza, mãe e filha que administram o negócio, acompanhar as tradições é uma forma de inovar sem perder a identidade da empresa.
“A gente acredita que essa é a época da comida afetiva, que desperta lembranças e aproxima as pessoas. Isso nos permite criar novos produtos e experiências, sempre acompanhando o que os clientes procuram”, explica Haysla.
Segundo elas, o planejamento antecipado é essencial para garantir qualidade tanto nas vendas presenciais quanto nos pedidos realizados pela internet.
Cultura que gera renda
O potencial econômico das festas populares está diretamente ligado ao crescimento da chamada Economia Criativa, que transforma conhecimento, cultura e identidade em geração de renda.
De acordo com o levantamento Mapeamento da Indústria Criativa, da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o setor respondeu por 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul em 2023.
Para o Sebrae/MS, datas sazonais como as festas juninas e julinas demonstram que investir em inovação, personalização e planejamento pode fazer diferença no desempenho dos pequenos negócios. Mais do que vender produtos, os empreendedores oferecem experiências ligadas à memória afetiva e à cultura popular, mantendo vivas tradições que atravessam gerações enquanto fortalecem a economia local.
