Grupo denuncia falta de estrutura, demissões e cobra melhorias na assistência às comunidades
Cerca de 100 indígenas ocuparam a sede do Dsei em Campo Grande na manhã desta terça-feira (30), impedindo a entrada de funcionários e pedindo a exoneração do coordenador Lindomar Terena. Os manifestantes denunciam falta de remédios, transporte e água nas comunidades, além de demissões sem justa causa e desaparecimento de materiais como pneus e celulares. A Polícia Federal tentou intermediar o acesso ao prédio.
Cerca de 100 indígenas ocuparam a sede do Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) e impediram a entrada de funcionários na manhã desta terça-feira (30), em Campo Grande. Até às 9h50, equipes da PF (Polícia Federal) tentavam acesso ao prédio.
Conforme apurado pelo Campo Grande News, o protesto é realizado por lideranças e caciques que pedem a exoneração do coordenador Lindomar Terena. A ocupação começou antes das 8h.
No portão do Dsei, manifestantes colaram cartazes com críticas à gestão. “Mudança já no Dsei MS”, “O descaso com a saúde indígena não pode continuar” e “A base das comunidades pede socorro: falta de remédio, transporte, água e equipe médica”, diziam as mensagens.
Ao Campo Grande News, o coordenador substituto Genilson Duarte afirmou que o protesto também foi motivado por demissões sem justa causa e pela indisponibilidade de servidores.
“As lideranças me chamaram aqui para esclarecer esses fatos administrativos que vêm ocorrendo. A indisponibilidade dos servidores, o motivo das demissões dos colaboradores e o que houve”, relatou.
Segundo Genilson, a gestão tem colocado em indisponibilidade servidores que apoiam a oposição. “São pessoas que não têm nada que desabone. Eu me posicionei contra assédios, demissões e perseguições e ao lado dos trabalhadores. Isso gerou uma crise na gestão e, inclusive, nos colocou em indisponibilidade”, disse.
O coordenador da Comunidade Terena, Célio Fialho Terena, afirmou que as reivindicações incluem melhorias na estrutura de transporte e no abastecimento de água. Ele lembrou que, em março, o grupo já havia feito uma manifestação no local, que durou três dias.
Célio também relatou que os manifestantes cobram esclarecimentos sobre o desaparecimento de materiais, como pneus e celulares. “Quem saiu com esses pneus daqui falou que ia vender. Chegaram mais de 100 celulares, que seriam usados por agentes de saúde, e também sumiram”, afirmou.
Segundo ele, as lideranças cobram uma gestão que dialogue e visite as comunidades. “São várias situações que fazem com que as lideranças saiam de casa de madrugada para cobrar a saída dessa gestão. Queremos uma gestão que ouça e atenda as necessidades das comunidades”, concluiu.

