Entre sinalizadores cor-de-rosa, cartazes feitos à mão e abraços, torcida vira combustível para quem corre

Na linha de chegada da Maratona de Campo Grande, nem todo mundo estava de tênis. Alguns chegaram de casaco, segurando celular, cartaz, sinalizador ou apenas esperando. Eram pais, mães, amigos, filhos, treinadores e companheiros que acordaram antes do amanhecer só para assistir alguém correr.
E, para quem enfrentou 21 quilômetros pela primeira vez, descobrir que havia alguém esperando fez tanta diferença quanto cruzar a linha de chegada.
Foi assim com Catiúcia Machado, de 41 anos. Depois de dois anos correndo provas menores, ela decidiu encarar sua primeira meia maratona. Quando se aproximou da chegada, encontrou as amigas fazendo exatamente o que haviam prometido: estavam lá.
Com cartaz nas mãos, fumaça cor-de-rosa e muitos gritos, transformaram o fim da prova em uma pequena festa. “Foi um grande desafio, mas graças a Deus consegui vencer.”
Até então, Catiúcia corria provas de 10 e 15 quilômetros. Os 21 eram um território completamente novo. “Os 21 quilômetros foram a minha primeira meia maratona.”
A medalha veio, mas o que mais ficou foi a recepção. “Com certeza. Ter amigos, familiares e pessoas queridas acompanhando e torcendo dá ainda mais motivação para seguir em frente e completar o desafio.”
Na corrida, cada atleta corre sozinho. Mas quase ninguém chega sozinho. Enquanto alguns encontravam filhos segurando cartazes, outros recebiam abraços da família ou ouviam o próprio nome gritado por desconhecidos. A torcida não diminui a subida, não encurta os quilômetros e nem faz a perna doer menos. Mas lembra por que vale a pena continuar.
Nem sempre esse incentivo aparece na linha de chegada. Às vezes ele começa meses antes, quando alguém acredita que a pessoa consegue ir além.
Foi o que aconteceu com Melanie Arbueno, de 29 anos, vencedora dos 10 quilômetros. Ela conta que entrou na Maratona de Campo Grande por insistência do treinador.
“Na verdade, participar foi um incentivo do meu treinador. Eu corri uma prova em maio e conquistei o primeiro lugar geral nos 10 quilômetros. Como reconhecimento, ele me deu de presente a inscrição para a Maratona de Campo Grande.”
A vitória, segundo ela, nem era o plano principal. “Na verdade, eu me preparei pensando em bater o meu recorde pessoal. A vitória não era o objetivo principal, mas acabou vindo como consequência.”
Melanie divide a rotina entre o trabalho e os treinos. “Treino sempre de madrugada, geralmente por volta das 5h ou 5h30. Depois, às 8h30, começo a trabalhar normalmente. À noite também mantenho a rotina de treinos, geralmente por volta das 20h ou 20h30. Então é preciso equilibrar as duas coisas”, finaliza.
Às vezes, é exatamente isso que ajuda alguém a terminar os últimos metros. Às vezes, incentivar um amigo é a parte mais importante da corrida.