Paquistanês desobstrói bueiro alagado em Campo Grande

Segundo o comerciante Ijaz Ali, atitude foi motivada pelo desejo de ajudar a comunidade que o acolheu

Para tentar diminuir um alagamento na Avenida Dom Aquino, no cruzamento com a Avenida Ernesto Geisel, um paquistanês colocou a mão na água para desobstruir um bueiro entupido. O registro foi feito na tarde de domingo (14), após a forte chuva que atingiu Campo Grande. Para a família, que chegou à Capital em 2020, em plena pandemia de covid-19, o gesto foi uma maneira simples de agradecer à cidade que os recebeu.

Um paquistanês viralizou nas redes sociais ao desobstruir um bueiro na Avenida Dom Aquino, em Campo Grande, durante alagamento causado por forte chuva no domingo (14). O comerciante Ijaz Ali, de 29 anos, disse que a ação foi motivada pelo desejo de retribuir ao Brasil, que acolheu sua família em 2020. Segundo ele, a prática já é habitual no local, que alaga com frequência.

Quem aparece no vídeo é um dos primos do comerciante Ijaz Ali, de 29 anos. Morador da região e proprietário de um estabelecimento comercial na Dom Aquino, ele conta que o ponto costuma registrar alagamentos sempre que chove forte. “Aqui, quando chove muito, sempre fica com bastante água. Ontem estava perigoso, os carros não conseguiam passar. Meu primo foi abrir a passagem da água para ajudar”, relata.

Segundo Ijaz, outros dois primos participaram da limpeza. Ele não ajudou porque estava com a filha pequena no colo no momento em que a água começou a subir. Apesar da repercussão do vídeo, a ação não foi algo excepcional para a família.

Para conter alagamento, paquistanês desentope bueiro com as próprias mãos
Lixo sobre o bueiro após a chuva (Foto: Juliano Almeida)
Para conter alagamento, paquistanês desentope bueiro com as próprias mãos
Comerciante Ijaz Ali em entrevista ao Campo Grande News (Foto: Juliano Almeida)

“É uma prática comum entre a gente porque esse trecho sempre alaga. Foi a segunda vez que fizemos isso. Ontem tinha muita água, estava muito cheio e ninguém conseguia passar. Quando ele limpa o bueiro, em cinco minutos já melhora e a água vai embora”, afirma.

O comerciante diz que a motivação não foi aparecer ou receber reconhecimento, mas apenas colaborar com a comunidade onde vive há seis anos. “Não pensamos em nada. Foi só para ajudar mesmo. Eu moro aqui e o governo do Brasil me ajuda muito. Eles deram documentos, trabalho. Então também é nossa responsabilidade ajudar o país”, diz.

Ijaz conta ainda que costuma retirar pedras, galhos, embalagens e outros objetos encontrados nas ruas da região quando percebe que podem causar transtornos ou obstruir a passagem da água.

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