Brincadeira com o adversário entrou em um cardápio marcado pelas tradições dos hermanos

Com pão francês à mesa para “devorar o inimigo”, paraguaios se reuniram na Associação Colônia Paraguaia, em Campo Grande, no fim da tarde deste sábado (4), para acompanhar o duelo contra a França pelas oitavas de final da Copa do Mundo e renovar a esperança de uma vaga nas quartas.
Paraguaios residentes em Campo Grande se reuniram na Associação Colônia Paraguaia para acompanhar o duelo contra a França pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Com tortilha, chipa, tereré e pão francês à mesa como provocação ao adversário, os torcedores celebraram a cultura paraguaia e demonstraram confiança na classificação às quartas de final.
A brincadeira com o adversário entrou em um cardápio marcado pelas tradições do país vizinho. Tortilha, chipa, cocido e tereré dividiram espaço com o pão francês com manteiga, incluído de propósito antes da partida decisiva.
Natividad Mercedes Gonçalves, de 67 anos, nasceu em Assunção, cresceu em Pedro Juan Caballero e vive em Mato Grosso do Sul há 33 anos. Ela fritou as tortilhas e ajudou a organizar a mesa para receber os torcedores.
“É um momento de celebrar a cultura paraguaia. Estamos aqui para reunir os nossos patriotas, os nossos companheiros, e também compartilhar as comidas típicas”, afirmou.
Para Natividade, o encontro vai além dos 90 minutos e reforça costumes preservados por paraguaios que construíram a vida em Mato Grosso do Sul. A imagem de Nossa Senhora de Caacupé ocupa espaço ao lado dos alimentos e símbolos tradicionais.
“O importante é a gente se reunir, fazer a festa, comemorar e preparar as nossas comidas típicas, mantendo a tradição paraguaia. Nós celebramos tudo isso. Está ali a nossa senhora, a Virgencita, o tereré, além da tortilha, da chipa e do cocido, que fazem parte da tradição paraguaia”, disse.
No fim da explicação, ela revelou a provocação preparada especialmente para o confronto. “Eu disse que nós comeríamos pão francês com manteiga.”
A confiança também domina o discurso de Oscar Martinez, diretor cultural da Associação Colônia Paraguaia. Ele reconhece a força da seleção francesa, mas acredita que a campanha paraguaia alimenta o sonho de avançar mais uma fase.
“A expectativa de nós, paraguaios, é que o Paraguai se saia bem. Chegar até as oitavas de final e, talvez, vencer para ir às quartas de final. Os bons times estão nessa disputa”, afirmou.
Oscar atribui a campanha à combinação entre atletas formados no país e jogadores que atuam no exterior. Para ele, a seleção encontrou na disposição em campo uma forma de compensar a diferença de estrutura em relação às principais potências.
“O que mais leva o Paraguai a continuar no campeonato é a garra, a vontade de vencer. Logicamente, não temos um campeonato tão forte, então a oportunidade do Paraguai é chegar até as quartas de final, quem sabe enfrentar o Brasil.”

O diretor cultural também citou Mbappé como símbolo do tamanho do desafio. Mesmo diante de um dos principais nomes do futebol mundial, ele vê no confronto contra favoritos uma motivação histórica para os paraguaios.
“Os times têm os seus astros, os seus jogadores de melhor reputação. O Mbappé é um excelente profissional. As pessoas sabem como ele joga, ele tem toda a tradição europeia. Então, a tradição do Paraguai é tentar bater quem está mais forte. A gente quer ganhar daquele que está mais forte.”
A reunião repete a mobilização registrada na fase anterior da Copa, quando a Colônia Paraguaia recebeu torcedores para o confronto contra a Alemanha. Na ocasião, a classificação nos pênaltis provocou festa entre paraguaios e brasileiros em Campo Grande.

