Gestão confirma estudo da SAS para usar o espaço; após reunião, comissão espera resposta em até 15 dias

Após protesto de moradores do bairro Mário Covas contra a possível instalação de um serviço de acolhimento para pessoas em situação de rua na antiga incubadora municipal, a Prefeitura de Campo Grande confirmou que a proposta fazia parte dos estudos para o imóvel, mas informou que irá reavaliar a destinação do espaço após ouvir a comunidade.
A Prefeitura de Campo Grande confirmou que estudava instalar um serviço de acolhimento para pessoas em situação de rua na antiga incubadora municipal do bairro Mário Covas, mas afirmou que reavaliará a destinação do espaço após ouvir moradores. A decisão será anunciada em 15 dias, segundo o vereador Wilson Lands, que participou de reunião com representantes da SAS e moradores, que sugeriram usos voltados à educação e assistência social.
A confirmação ocorreu durante reunião realizada na quarta-feira (15), entre representantes da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania), vereadores e uma comissão formada por moradores do bairro. O encontro foi marcado após a mobilização organizada pela comunidade, que rejeitou a possibilidade de instalação de uma casa de passagem, albergue ou outro equipamento semelhante no local.
Em entrevista ao Campo Grande News, a vice-prefeita e secretária da SAS, Camilla Nascimento, afirmou que o acolhimento era uma das alternativas analisadas pela administração, mas ressaltou que ainda não havia decisão definitiva.
“O que existia era um estudo e um levantamento sobre o que poderia ser feito ali. E, sim, uma das possibilidades que estava nos nossos planos era um espaço de acolhimento. Ouvimos a população e agora vamos discutir internamente o que faremos com isso”, disse Camilla.

Segundo a titular da SAS, a reunião teve exclusivamente o objetivo de ouvir a população. “A incubadora comporta várias possibilidades. Agora a administração, junto com outras pastas, vai conversar. A Assistência Social também vai avaliar o que diz respeito à assistência”, afirmou.
Sem entrar em detalhes, ela acrescentou que os moradores apresentaram propostas envolvendo educação, cultura, assistência social e a utilização do espaço por outras instituições públicas.
Integrante da comissão que participou da reunião, o vereador Wilson Lands (Avante) afirmou que a posição dos moradores foi unânime. “Os moradores foram enfáticos ao dizer que não querem que funcione ali uma casa de recuperação, um albergue ou uma casa de passagem”, afirmou.
Entre as sugestões apresentadas pela comunidade estão a instalação do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) Canguru no prédio, a criação de um anexo de uma Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) para ampliar vagas, a unificação do Cadastro Único e outros serviços públicos.

Segundo Wilson, nenhuma definição foi tomada durante a reunião. “Eles não deram uma resposta positiva, mas também não deram uma resposta negativa. Ficou em aberto e disseram que, em cerca de 15 dias, vão apresentar uma resposta”, relatou o vereador.
De acordo com ele, a comissão é formada pelos vereadores Júnior Coringa (MDB) e Wilson Lands, pela presidente do Bairro Mário Covas, integrantes do Clube de Mães e aproximadamente 15 moradores antigos da região.
Wilson também afirmou que, durante a reunião, Camilla comentou que gostaria de ampliar a utilização das antigas incubadoras pela Assistência Social, mas reconheceu que isso depende da disponibilidade orçamentária.
“Ela falou que, por ela, gostaria que todas as incubadoras ficassem sob responsabilidade da SAS para implementar ações da Assistência Social”, disse o vereador. Segundo ele, a própria vice-prefeita ponderou que essa possibilidade “esbarra também no orçamento”.
O vereador também apontou que durante a reunião foi explicado que os imóveis foram colocados à disposição das secretarias municipais para eventual utilização. Caso nenhuma pasta manifeste interesse, os prédios permanecem vinculados à Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável).
Abandono – A discussão ganhou força depois que o Campo Grande News mostrou que três das quatro incubadoras municipais estão desativadas e apresentam sinais de abandono. A prefeitura informou que o modelo de incubação física foi encerrado devido à migração dos empreendedores para o ambiente digital e que os imóveis passarão a ser utilizados por outras secretarias, mantendo apenas as Salas do Empreendedor.
No caso da incubadora do Mário Covas, a reportagem encontrou portas de vidro quebradas, danos na recepção e mato alto ao redor do imóvel, mesmo após uma reforma realizada em 2023.
Entretanto, a possibilidade de o prédio receber um serviço da assistência social motivou o protesto dos moradores em frente ao imóvel, localizado na Rua Leandro da Silva Salina, na região da Avenida dos Cafezais.
Conforme noticiado anteriormente, os manifestantes afirmaram que não eram contrários às políticas públicas de assistência social, mas defendiam que o espaço tivesse outra destinação, voltada à própria comunidade. Durante o protesto, cobraram transparência da prefeitura sobre o futuro do prédio e pediram que qualquer decisão fosse debatida previamente com os moradores.
A repercussão da manifestação levou os vereadores Ademar Vieira Júnior (MDB), o Coringa, e Wilson Lands (Avante) a procurarem a vice-prefeita e secretária municipal de SAS, Camilla Nascimento.