Polícia havia apontado tortura, mas o Ministério Público adotou outro enquadramento jurídico
Médica-veterinária Lidiane Cecília Pereira, de 42 anos, foi denunciada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul por tentativa de homicídio qualificado após jogar álcool e atear fogo no marido, Carlitos Fioravante Vieira de Oliveira, em Campo Grande, em junho. A vítima sofreu queimaduras em 30% do corpo. Lidiane alegou ciúmes e negou intenção de matar. Ela segue presa preventivamente.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) denunciou a médica-veterinária Lidiane Cecília Pereira, de 42 anos, por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e pelo emprego de fogo contra o marido, Carlitos Fioravante Vieira de Oliveira. O crime ocorreu em 22 de junho, em Campo Grande, após uma discussão do casal.
Com a denúncia, apresentada nesta quinta-feira (2), o caso deixa a fase de investigação e passa a tramitar na Justiça. Agora, caberá ao Judiciário decidir se recebe a acusação e transforma Lidiane em ré.
Carlitos sofreu queimaduras graves depois de ter o corpo atingido por álcool e fogo dentro da residência da família, no Bairro Vila Santa Luzia. Segundo os autos, ele chegou ao hospital em estado grave, com queimaduras em aproximadamente 30% do corpo, e precisou ser intubado.
No interrogatório à Polícia Civil, Lidiane confessou ter jogado álcool e acionado o isqueiro, mas negou intenção de matar. Ela alegou que queria assustar o companheiro, motivada por ciúmes de uma suposta relação extraconjugal.
A Polícia Civil chegou a concluir o inquérito com entendimento diferente do Ministério Público. Para a investigação, embora o caso inicialmente sugerisse tentativa de homicídio, a conduta posterior da suspeita indicava arrependimento eficaz, já que ela teria tentado apagar o fogo, sofrido queimaduras nas mãos, levado o marido ao hospital e providenciado a transferência dele para outra unidade de saúde.
Mesmo assim, a polícia entendeu que havia indícios de tortura. O enquadramento foi baseado na própria versão da investigada, que afirmou ter usado o fogo para tentar fazer o marido confessar uma suposta traição. Para a Polícia Civil, o sofrimento imposto à vítima teria sido usado como forma de obter uma informação ou declaração.
O MPMS, no entanto, adotou outro enquadramento jurídico e denunciou Lidiane por tentativa de homicídio qualificado. Ela segue presa preventivamente.
