
Antes da bola rolar e de o Brasil perder para a Noruega por 2 a 1, um grupo de pais e mães de Campo Grande já tinha encontrado uma forma de fazer a Copa ir além da torcida para a criançada. Na festa de aniversário de João, filho do consultor de vendas Fagner Marcuci, de 45 anos, o clássico balão surpresa ganhou outro significado.
Fagner, aliás, já havia aparecido no início da Copa como um dos torcedores mais empolgados com o Mundial. Em casa, montou até uma “central da Copa” para acompanhar os jogos da Seleção com a família e os amigos.
No domingo, a expectativa era que os filhos da turma, com idades entre 7 e 11 anos, vissem o Brasil avançar e manter viva a esperança do hexa. Mas, antes do jogo, a comemoração teve uma cena que acabou combinando com o espírito do dia: um balão azul cheio de figurinhas da Copa do Mundo.
A ideia foi resgatar um clássico das festas de aniversário dos anos 1990, aquele balão recheado que estourava no meio da criançada e fazia todo mundo correr para pegar doces. Desta vez, no lugar de farinha e guloseimas, o que caiu foram figurinhas.
A brincadeira tinha motivo. Embora a Seleção ainda estivesse em campo naquela tarde, o álbum da meninada seguia incompleto, e muita gente precisava trocar repetidas para conseguir novas.
“É uma brincadeira nostálgica, mas também uma forma de mostrar para as crianças a importância de compartilhar”, explica o publicitário Rodrigo Shiguemoto, de 42 anos, pai de dois meninos.
Enquanto filmava a cena, Rodrigo e os outros pais orientavam os pequenos a separar as figurinhas repetidas para trocá-las entre si. É claro que brincadeira virou uma roda de negociações, com cada criança procurando as que faltavam para completar o álbum.
Depois veio o jogo. E, com ele, a frustração dos adultos. O Brasil foi derrotado por 2 a 1 pela Noruega, e o sonho do hexa ficou pelo caminho. Para as crianças, porém, a tarde já tinha rendido outra memória.
Entre figurinhas, torcida e aniversário, os pais também aproveitaram para falar sobre competição. Sobre ganhar, perder, dividir e entender que nem sempre o resultado vem como a gente espera. Depois da partida, muitos foram para a sala, álbum em mãos, para colar as novas conquistas e com farinha na cabeça.