Insegurança na Rua 14 de Julho: comerciante relata furtos

Comerciante há 38 anos no Centro relata danos na fachada, cabos levados e medo durante a madrugada

A comerciante Samia Jassin Ali Akre, 58 anos, diz que nunca viu a Rua 14 de Julho, em Campo Grande, em situação tão difícil como agora. Dona da loja Patotinha, instalada há 38 anos na região central, ela publicou vídeo nas redes sociais neste sábado (4), após encontrar a estrutura metálica da porta danificada.

Comerciante da Rua 14 de Julho, em Campo Grande, relatou série de furtos e danos à sua loja, incluindo tentativas de roubo de alumínio, cabeamento elétrico e fios de internet. Samia Akre, dona da loja Patotinha há 38 anos, afirma que suspeitos agem durante a madrugada e trocam materiais por drogas. Ela pede reforço policial noturno e alerta que outros lojistas enfrentam situações semelhantes. A prefeitura foi questionada sobre ações na região, mas não respondeu.

A loja fica entre as ruas Marechal Rondon e Maracaju. Segundo Samia, os suspeitos tentaram arrancar partes da estrutura na sexta-feira, não conseguiram, voltaram durante a madrugada e danificaram novamente o local.

“Eles tentaram ontem. Puxaram toda a outra parede, não conseguiram, voltaram hoje e fizeram novamente”, contou a comerciante. No vídeo, ela mostra o estrago na entrada da loja e uma faca que teria sido deixada no local.

Conforme Samia, o material levado ou danificado é alumínio, que seria vendido por valores baixos para a compra de drogas. “É alumínio, eles trocam por droga. Dizem que é R$ 25, R$ 30 o quilo”, afirmou.

A comerciante relata que o problema não se limita à fachada. Na sexta-feira, ao chegar para abrir a loja, percebeu que parte da energia não funcionava. Um eletricista foi chamado e constatou tentativa de furto do cabeamento do relógio de energia, instalado na área externa.

“Eu entrei na minha loja, fui acender a luz e não acendia. Graças a Deus consegui subir a porta eletrônica. Depois vi que tentaram roubar o cabeamento do relógio”, disse.

Samia afirma que também já ficou sem internet várias vezes por causa de furtos de fios. Segundo ela, cabos de internet instalados na área das portas foram levados pelo menos três vezes.

“Aonde ficam os fios de internet, já roubaram três vezes. Eu fiquei sem internet por várias vezes. Nada eles deixam inteiro”, reclamou.

Para a comerciante, o problema se agravou principalmente durante a madrugada, quando bares fecham e a rua fica mais vazia. Ela cobra rondas policiais no período noturno.

“É policiamento. É só colocar polícia para dar uma olhada, para fazer rota de vez em quando na 14, mas tem que ser de madrugada, porque eles agem de madrugada. Os bares fecham 1h, 2h da manhã, a 14 de Julho vira um breu e eles aproveitam para fazer o que querem”, afirmou.

Samia diz que outros comerciantes da região enfrentam situações semelhantes, com invasões, furtos e danos em lojas. Ela cita que estabelecimentos próximos também teriam sido alvos de pessoas que circulam pela área durante a madrugada.

“Já aconteceu com loja de todo mundo. Qualquer coisa que eles conseguem roubar ou tirar para trocar por droga, eles estão fazendo”, disse.

Durante o dia, segundo a comerciante, a convivência também é difícil. Ela afirma que lojistas e clientes são abordados com frequência e que muitos evitam reagir por medo de represálias.

“Se você não dá dinheiro ou alguma coisa, eles te xingam. Às vezes, as pessoas dão dinheiro para não serem agredidas. O comerciante fica de mãos atadas, porque se fizer alguma coisa, eles voltam com uma turma”, relatou.

Apesar das reclamações, o caso envolve também uma situação social crônica no Centro, com presença de pessoas em situação de rua e usuários de drogas. Para Samia, no entanto, a resposta imediata precisa passar por segurança pública. “Se a gente tem segurança, a gente não precisa de mais nada”, resumiu.

O Campo Grande News procurou a Prefeitura de Campo Grande e questionou se há ações em andamento na Rua 14 de Julho, se a Guarda Civil Metropolitana tem reforçado rondas na região central e se existe operação integrada entre assistência social, saúde, segurança pública e zeladoria urbana para atender pessoas em situação de rua e usuários de drogas. O espaço segue aberto para manifestação.

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