Rota Bioceânica: Campo Grande mira mercado de 20 mi

Foi firmado o compromisso de formar um grupo de 100 empresários para visitar o Chile

Lojistas articulam voos e plano para fornecer produtos aos países da Bioceânica
Equipe da CDL e comitiva de Tarapacá durante reunião (Foto: Divulgação/CDL)

 O comércio de Campo Grande começou a transformar a Rota Bioceânica em uma estratégia concreta de expansão de mercado.

Empresários, representantes de entidades e autoridades do Chile se reuniram na CDL de Campo Grande para discutir a expansão comercial pela Rota Bioceânica. Entre as medidas debatidas está a criação de uma conexão aérea entre Campo Grande, Assunção e Iquique. O governador de Tarapacá destacou o projeto como o mais importante da América Latina nas últimas décadas do ponto de vista geopolítico.

Em reunião realizada na quarta-feira (8), na sede da CDL-CG (Câmara de Dirigentes Lojistas de Campo Grande), empresários, representantes de entidades e autoridades do Chile discutiram medidas para aproximar os dois países, com foco na criação de uma conexão aérea entre Campo Grande, Assunção e Iquique e na preparação do setor produtivo para fornecer produtos ao mercado latino-americano.

Na ocasião, foi firmado o compromisso de formar um grupo de 100 empresários para visitar o Chile, conhecer as potencialidades da região e apresentar as oportunidades de negócios de Campo Grande.

Há 3 anos, a entidade trabalha para conectar o varejo local às possibilidades da rota de integração latino-americana.

Para o presidente da CDL, Adelaido Vila, a integração abre para Campo Grande um mercado de 20 milhões de consumidores e coloca a Capital em posição de fornecedora de produtos ao Brasil, em vez de apenas consumidora.

“Se nós tivermos a capacidade e a inteligência de trazer pelo Pacífico, Campo Grande passa a ser a grande fornecedora do Brasil”, pontuou.

Ainda de acordo com o presidente da entidade, o próximo passo é entender o que o Chile tem a oferecer.

“Primeira coisa, estamos buscando entender o que eles [chilenos] têm lá, quais as oportunidades efetivas; segundo construir a rota aérea. Montamos um grupo de trabalho, vamos nos reuniu na próxima semana para entender como conseguimos descobrir os produtos que tem lá para trazer para cá. Nós queremos ser a porta da entrada dos produtos no Brasil”, completou.

Adelaido lembra ainda que tudo o que se consome em Mato Grosso do Sul acaba vindo do sudeste brasileiro. “Quando começamos fazer uma compra direta, o ganho passa a ser diferenciado. Os produtos que chegam em Mato Grosso do Sul são caros porque passa por muitos atravessadores”, destacou.

Juntos, os representantes do varejo e a Aena tratam sobre conexão aérea entre as duas regiões.

A presidente da FCDL-MS (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul), Inês Santiago, reforçou que as tratativas podem começar antes da conclusão da rota terrestre.

“Já podemos começar os nossos negócios fomentando uma rota aérea e essa conexão importante com esses países”, disse.

Segundo ela, já existe um voo entre Assunção e Iquique, e o próximo passo é criar uma ligação entre Campo Grande e Assunção.

O governador de Tarapacá, José Miguel Carvajal Gallardo, participou da reunião e destacou o caráter estratégico da aproximação com o comércio sul-mato-grossense.

“O projeto corredor bioceânico é o projeto latino-americano mais importante do ponto de vista geopolítico das últimas décadas. Uma das mais significativas tratativas que levamos desta visita é a possibilidade de iniciar o processo de conectividade aérea entre Campo Grande e Assunção, e de Assunção a Iquique, que permitiria também intercâmbios de turismo”, afirmou.

O diretor da Aena em Mato Grosso do Sul, Usiel Vieira, informou que já avalia a viabilidade da conexão internacional. De acordo com ele, hoje, um passageiro que sai de Iquique até Campo Grande passa por quatro operações de voo, com escalas em Santiago e Guarulhos (SP). Uma rota direta ou com uma única conexão mudaria esse cenário.

“A gente é chamado aqui no Mato Grosso do Sul de porta de entrada para o Mercosul. Imagina que a gente consegue fazer isso com apenas um ou dois voos. A expectativa da gente é muito boa”, finalizou.

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