
Ex-moradora de MS, Sonia Moura concorrerá pelo Republicanos com foco em vítimas de violência
Depois de mais de uma década dedicada à criação do neto Bruninho e à busca por justiça no caso da morte da filha, Eliza Samudio, a moradora por muitos anos de Campo Grande, Sonia Moura Samudio, anunciou que disputará uma vaga na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) nas eleições deste ano.
Sonia Moura, mãe de Eliza Samudio, anunciou pré-candidatura a deputada estadual pela Alerj nas eleições deste ano. O anúncio foi feito nas redes sociais na terça-feira (14). Ela pretende atuar na defesa de vítimas de violência e suas famílias. Moradora de Campo Grande por anos, Sonia criou o neto Bruninho na capital sul-mato-grossense após o assassinato da filha em 2010. O partido pelo qual disputará a eleição ainda não foi divulgado.
O anúncio foi feito na terça-feira (14), por meio das redes sociais. Na publicação, Sonia afirma que pretende concentrar sua atuação na defesa de vítimas de violência e de suas famílias, causa que diz ter abraçado após o assassinato da filha, em 2010.
“Após a perda de sua filha, Eliza Samudio, Sonia Moura escolheu transformar o sofrimento em uma missão de vida: acolher vítimas, apoiar famílias e defender aqueles que enfrentam qualquer tipo de violência”, diz o texto divulgado em seu perfil.
A publicação afirma, ainda, que a pré-candidatura tem como objetivo ampliar esse trabalho. “Hoje, como pré-candidata a deputada estadual, Sonia deseja ampliar essa atuação, fortalecendo iniciativas de proteção, acolhimento e apoio às vítimas e às suas famílias, para que mais pessoas encontrem amparo e não precisem enfrentar suas lutas sozinhas”.
Ela será pré-candidata pelo Republicanos. No dia 7 de julho, ao lado do pré-candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, André Pinto de Afonseca, o André Português (Republicanos), ela apareceu em um vídeo afirmando que pretende concentrar sua atuação na defesa dos órfãos do feminicídio.
“Todo mundo sabe da minha luta. O meu trabalho tem sido um trabalho de formiguinha e, hoje, eu estou como pré-candidata. Pretendo, sim, acolher vítimas, acolher mulheres vítimas de violência e também atender os familiares. Também quero trabalhar a questão dos órfãos do feminicídio”, disse Sonia no vídeo publicado nas redes sociais.
A reportagem entrou em contato com Sonia por ligação telefônica e por meio do Instagram para obter mais detalhes sobre a pré-candidatura, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Passagem por MS – A história de Sonia Moura se entrelaça com Mato Grosso do Sul muito antes de o caso Eliza Samudio ganhar repercussão nacional. Após deixar o Paraná, ela passou a viver em Mato Grosso do Sul, onde constituiu nova família. Eliza chegou a morar com a mãe em Campo Grande durante parte da infância, antes de retornar à casa do pai e, posteriormente, mudar-se para São Paulo em busca da carreira de modelo.
Após o desaparecimento de Eliza, em junho de 2010, Sonia passou a viver intensamente o caso. Na época, ela morava em um sítio no distrito de Anhanduí e ingressou na Justiça para obter a guarda definitiva do neto, Bruninho, então com apenas quatro meses.
Com a guarda da criança, mudou-se para Campo Grande em 2011, após relatar ameaças relacionadas ao processo criminal. Desde então, criou Bruninho na Capital sul-mato-grossense, onde buscou mantê-lo longe da exposição provocada pelo caso.
O caso – Eliza Samudio desapareceu em junho de 2010, quando buscava o reconhecimento da paternidade de Bruninho pelo então goleiro Bruno Fernandes. As investigações concluíram que ela foi assassinada a mando do jogador. O corpo nunca foi encontrado.
Ao longo dos anos, Sonia tornou-se uma das principais vozes na cobrança por respostas sobre o paradeiro da filha e por justiça no caso. Em diversas entrevistas ao Campo Grande News, afirmou que sua maior dor continua sendo não ter podido sepultar Eliza.
Em 2012, resumiu esse sentimento à reportagem: “Quero o corpo da minha filha.” Na mesma época, contou que deixou o distrito de Anhanduí por questões de segurança e que sua prioridade havia passado a ser criar o neto.
Mesmo após a condenação dos envolvidos, Sonia continuou acompanhando os desdobramentos do caso. Em 2025, recebeu de volta pertences pessoais de Eliza que permaneceram sob custódia da Justiça por cerca de 15 anos, como computador, óculos e sandálias. Ela afirmou, na ocasião, que ainda não tinha condições emocionais de acessar os arquivos armazenados no computador da filha.
Mais recentemente, também voltou ao noticiário ao pedir cautela após o surgimento do passaporte de Eliza em Portugal, defendendo que o documento fosse analisado antes de qualquer conclusão.